domingo, 4 de março de 2018

Relógio de pul(s)o

Geralmente os minutos contados são os mais sufocantes,
aqueles que antecedem um fragmento de felicidade e ar puro
Distante e diferente de um agora
de um sufoco do peito aos céus.

O espaço é uma briga entre motivos
sem razão para serem.
A grade me lembra que não podemos pular ao a.mar
nem à morte
E sim aguardar, quem sabe
um acordo bem sucedido entre ambas as partes
Entre o tempo E o meu coração.

Que as minhas dores não sejam mais regadas por estes olhos já cansados
Ja treinados a escorrer e dissolver uma paciência que nunca existiu
e borrar uma luz que jamais esteve acesa.

...

A vida é um prédio alto
Cujos andares só aumentam
e só se quer descer.

Mergulho profundo neste mar
Num azul junto ao céu
que me colore.
As águas vão me levar pra longe de tudo algum dia
E o mar Bravo, enquanto isso, me cobra a ida
se zangando com a demora da partida.
Já houve mais açúcar do que sal neste corpo
Que agora é mais copo do que corpo
Mais caco do que vidro
E espera do que chegada.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

A pequena rosa

Não há tantas outras palavras que possam ser usadas sem que as abelhas as roubem,
mas as pétalas, o perfume e os beijos permanecem ante minhas mãos 
Até que os dedos acabem mais uma vez a contagem e seja dia sem espinhos.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Entre crises e carnavais

Por onde começam as linhas,
Estrofes
Quando há tanto a se dizer?
Quando as costas estão cansadas
de repetidas histórias e goles e costumes
?

O espelho responde somente a mim e sou eu aquela quem diz o que vê
E ele já está trincando
Voltando ao que já foi
E sempre foi
Estilhaços entrando na pele.

E que entrem e cortem
Porque o sangue ja está todo no chão há algum tempo
Porque as diretrizes não são as mesmas
E assim estancam o vermelho quente,
Desde que não cortem a voz
Rouca.

Gritos
Desde que arrranhem a garganta
E não mais as paredes.
Desde que a saturação acabe
Ou me acabe.

...

Aqui no meu canto eu me acho
Cato os pedacinhos no chão sem o barulho la de fora,
Sem o tanto que discordo
E tento remar contra.
Dou um jeito
Do meu jeito.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Retorno e ida

Ontem, a primeira das primeiras noites
Hoje, a primeira das últimas.
Ambas estranhas, ríspidas dentro de um corpo cansado e desacostumado
com tanta mudança.

E me flagrei boba olhando a janela
Esperando encontrá-lo.
Demora um pouco para acostumar
com as pernas saídas do mar
E olhos agora abertos.

Abraços que faltam e outros que fizeram falta nos meus braços riscados
De rascunhos das minhas vidas e também mortes passadas.
Os dedos procuram lar vagarosos entre o teclado
Digitando pensamentos vazios de saudade
Até adormecerem...
e os sonhos serem cruéis com a realidade que apenas nós lembramos.

É uma semana estranha
Mas eu sempre fui estranha.

domingo, 28 de janeiro de 2018

Aquilo que me desperta

Madrugada de domingo, cinco pras duas.
Acordo suada, escorrida desse verão.
Levanto.
Banheiro, remédios esquecidos, água.
Nem o piso sob meus pés descalços aliviam o corpo quente,
Que ainda quer dormir, ainda quer escrever
Ainda quer voltar o tempo.

Chega a parecer ser mal agradecido, isso se realmente não for
Porque as reclamações são vagas
E o que se têm é o que sempre quis.
É o nunca acordar de um sonho bom
É o medo de ser apenas um sonho em uma noite quente de Janeiro.
E medo volta a ser a palavra importante;
Volta a ser o estranhamento fatídico de outras madrugadas
entre as luzes da cidade
e os olhos cegos.

As madrugadas são espaços errados.
Mas no meu quarto, na minha casa
As minhas paredes azuis quase não me reconhecem
Por mais que eu as sinta reconfortantes,
a mala continua no canto do quarto
Entre o vai e vem
Entre uma casa e outra
Em várias fugas e devaneios de mim mesma.
- mas eu continuo me achando
.
.
.
E perdendo - em teus olhos
E todas as outras coisas que ficam no caminho
Entre eu ter deitado ontem, acordado agora e levantar amanhã.
Amanhã porque o dia ainda não começou
Eu não comecei
Porque o medo a gente já sabe o que faz:
Acorda de madrugada e obriga a escrever e escrever e escrever
Porque eu disse que só escrevia quando estava mal
Mas às vezes eu tenho medo e também amo
E meu coração pode apenas se desculpar pela primeira e agradecer pela segunda.

...

Que meus olhos repousem.

domingo, 17 de dezembro de 2017

Cicatrizes

As marcas não me deixam esquecer
Jamais
De toda a jornada.

Elas se alastram
E domam meus dedos
E rosto molhado.

Parece não ter fim
Até que meus olhos se cansem
E permitam a cama me abraçar.

Que os sonhos lavem tudo
Os riscos, as manchas, as lágrimas
E as pedras polidas no caminho.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Silêncio e suavidade

Já não tenho mais medo de fantasmas
Ou da poeira deixada pelos pés.
É um sorriso concreto, bobo pelas ruas
Da criança que encontrou o amor nas pontas dos dedos.

Que o abraço seja eterno
Porque agora eu sou.
Transbordante como as lágrimas involuntárias
Nós olhos que antes dessas ja brilhavam
E temem.
O amor renuncia o medo, mas o traz
Derrubando minha porta
E sujando meu chão agora limpo.

Eu não quero ter medo
Mas tenho de acordar.
Que o sono jamais me leve enquanto tudo for leve
E eu voe.
Meu sangue transporta amor
E todo meu corpo cora
E a coragem que corre
E corta cada uma das cartas
Carrega
E conta
Um conto de fadas um tanto mal escrito.

Eu sou uma flor azul
E é primavera.