terça-feira, 27 de setembro de 2016

Segredos que fugiram da estante

A força que uma palavra tem
Segredo.
Diferente dos de pacto
Aqueles que transitam no olhar de dois
Na vista de que eu sei
E você também
E somente nós.
Esse ja não é mais.
É  na solidão.

O segredo que é somente meu
Jamais permitirá ser seu.
É um corpo que não divide espaço com outro
É um assassinato
E o morto não tem voz para clamar.

O que não se permite dividir
O que rói o fígado
Em regeneração
É o que a boca não entrega em beijo
E as mãos não escrevem em toque.

É o infinito
Pois pode ser qualquer coisa
Assim sendo
Tudo
Menos seu
Menos sua.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

A Praia dos ciganos

Aqui acima as luzes piscam
E a oscilação é alerta,
Recado que já foi jogado no mar
E Salgado entre os olhos de quem se afoga.

O que o médico diz
De sonhos perversos
Em contos infantis?
O balanço vem e vai
Como a maré
O a.mar que derruba quem sabe nada.r.

O passar das noites distintas
Cheia à nova
Em fotografias que já começam a desbotar
E perder o tom de conchas
Ou misticidade de ser areia.

As águas que afagam são as mesmas a tirar o sangue das mãos
E transpor a inocência de volta aos imaculados.
Que a maré derrame a semana
E banhe devagar os pés
Para saberem em que terra pisam.

As pérolas esperam sua vez
E suspiram aos pescoços que se molham
Como se soubessem
Que cada gota ali
É lágrima curada
Em oferendas sinceras.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Entardecer

Os pneus parecem saber
De cada acorde e vibração
Transcorrida das cordas da madeiras
Às vocais.
Cheias de vogais
Os chamamentos vêem
Cegos em noite de artificios:
Fogos e pessoas.

Toda mulher muda há de gritar
E tornar-se flor.
As lágrimas regam
E rezam todas as ave marias do terço
Que uma terça feira poderá trazer.

Então
Entre cadeiras a cadeia termina,
A dança de São João
Que um corre atrás de outro que corre atrás de outro que corre
Que corre.

A primeira aparição dos santos nas linhas
Não é teor d'dízimo
É milagre esperando saber
Da ciência.

A flor continuará azul
Quando souber que já é fruto?

...

Voltamos à viagem
E os pneus sonhados de cavalos galopando a estrada.
Os golpes que o corpo leva
Entre lombadas e vice presidentes
Doura-o
Como estátua
Ou medalha frente ao peito.
.
Vinde as graças aos que apanham e morrem de amor
Aos que fazem de seus dizeres Pátria
E cantam como hino
As juras de nunca-mais.

As flores até o último dos dias
Em cemitério
Na primeira das noites.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Olhos em luz

Não se iluda
O alaranjado que ilumina a noite
Não a tornará dia.
A escuridão esconde muito segredos
E dívidas ainda não pagas.

Todo pôr do Sol é um fechar de olhos
Para se abrir a boca
E falar o que a luz não alcança
Com a aceitação de vias ainda mais desconhecidas.

...

O que apetece é adubo
Em terra muito fértil
Ainda não regada.
Se os botões das Rosas azuis pudessem falar
De mansinho vingariam todos os jogos de sorte e azar que já passaram
Bem me quer
Mal me quer
Arrancaram elas partes de nós.
Seriam elas as responsáveis por cada morte interior
E não quem optamos por.

Abra os olhos
Enquanto for dia e puder sentir o calor do Sol cegar-lhe
Pois quando o frio chegar
Depois das seis da tarde,
Ah
Saberá que luz buscar
E aonde arrancar uma flor
Para que floresça outra das cinzas
De malditos girassóis
E amores antigos.
As formas destes são esquecidas
Porque a noite não permite muito ser visto,
Assim
Antes de dormir
Feche os olhos
E ascenda-me.

Os fósforos acabaram
E o fogo insiste na lareira.


sábado, 13 de agosto de 2016

Final de festa

Sequência repetida,  nunca notada
Noite de vinda e sono
Desespero entre os cantos fazem de todo homem
Um copo de whisky.

A quem cuidará
Dos passos sozinhos,
A sorte de não tropeçar em si.
Pois nem toda caminhada
Ou domingo
É sinônimo de tristeza.

Azul tine
Entre o céu escuro da noite
Mesclado ao céu como os cabelos.
A lua ergue-se novamente
Cheia de luz e renovação,
Acima de todos os olhos,  vivos ou viúvos.
...
Esta é a religião
O inegável satélite transformador,
A perfeição de mil poemas
Que jamais poderão vingar-se
De nunca poderem estar a sós com ela.

domingo, 7 de agosto de 2016

Casto na varanda da espera

Encostado nestes ombros
vão
as memórias enxurradas de si,
as vítimas do legado
do drama
na cama.
Ali desconcerta-se
só, em uma imensidão,
antes de cair
do penhasco mais alto
e adormecer impune.

Na rota de toda derrota há
dúzias de flores perdendo as pétalas
para a tempestade revestida de brisa.
Toda rosa sonha em deixar de ser buquê
e tornar-se fruto
a ser mordido.

O devorado é implorar-se a deixar o egoísmo,
abandonar a custódia de si
e calar-se na maior das implosões:
O grito abafado de morte,
Suicídio de passado
em novas cicatrizes.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Meados de mim

Debaixo do cobertor,  sozinhos
Os pés frios tentam se aquecer com meias
Meias palavras,  Meias verdades
São apenas metade.

Todos os ventos gélidos são conspiração
Quebras de inteiros nos interiores:
Sentimentos antes precisos desbotam
Como as flores jamais ganhadas.

O destino prepara sua dose em poção
Que destila tudo que um ano já pôde ser,
em todas as rimas que se imploram para vir
Assim como um futuro disfarçado de presente.