sábado, 13 de agosto de 2016

Final de festa

Sequência repetida,  nunca notada
Noite de vinda e sono
Desespero entre os cantos fazem de todo homem
Um copo de whisky.

A quem cuidará
Dos passos sozinhos,
A sorte de não tropeçar em si.
Pois nem toda caminhada
Ou domingo
É sinônimo de tristeza.

Azul tine
Entre o céu escuro da noite
Mesclado ao céu como os cabelos.
A lua ergue-se novamente
Cheia de luz e renovação,
Acima de todos os olhos,  vivos ou viúvos.
...
Esta é a religião
O inegável satélite transformador,
A perfeição de mil poemas
Que jamais poderão vingar-se
De nunca poderem estar a sós com ela.

domingo, 7 de agosto de 2016

Casto na varanda da espera

Encostado nestes ombros
vão
as memórias enxurradas de si,
as vítimas do legado
do drama
na cama.
Ali desconcerta-se
só, em uma imensidão,
antes de cair
do penhasco mais alto
e adormecer impune.

Na rota de toda derrota há
dúzias de flores perdendo as pétalas
para a tempestade revestida de brisa.
Toda rosa sonha em deixar de ser buquê
e tornar-se fruto
a ser mordido.

O devorado é implorar-se a deixar o egoísmo,
abandonar a custódia de si
e calar-se na maior das implosões:
O grito abafado de morte,
Suicídio de passado
em novas cicatrizes.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Meados de mim

Debaixo do cobertor,  sozinhos
Os pés frios tentam se aquecer com meias
Meias palavras,  Meias verdades
São apenas metade.

Todos os ventos gélidos são conspiração
Quebras de inteiros nos interiores:
Sentimentos antes precisos desbotam
Como as flores jamais ganhadas.

O destino prepara sua dose em poção
Que destila tudo que um ano já pôde ser,
em todas as rimas que se imploram para vir
Assim como um futuro disfarçado de presente.

domingo, 26 de junho de 2016

Até onde meu italiano permite

O vermelho que escorre deste sangue
em magia, promessa
é destilado
e posto à boca
com todos os dedos segurando a taça.

Escorre os lábios antes de descer o corpo
queimando como fogo de mesma cor.
Escuridão em recente madrugada
noite póstuma das qualidades de um guerreiro,
a coragem que não necessita de espada para rasgar-se
e debruçar-se em infinito contentamento.

Todos os contos de fadas harmoniosos
vigentes e fiéis a um final
de acolhimento terno, assim antes
dos anos contarem
e permitirem-se.

Quando as palavras não bastam
em surpresa
como as festas de rei,
o sangue já dito torna-se tinta
dos ossos escritos de dentro para fora,
das exclamações
e linhas que
vão
se
acabando
e
descosturando
o que uma vez foi tido:
vestido.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Noite adentro

Um corpo que dança não pode explicar seus movimentos.
Um corpo que grita
e chove
não consegue deixar de ensurdecer
e molhar-se.

Toda gota vem do mesmo céu
em cima de um único corpo,
o mesmo que treme
todas as vezes que ameaçado
sem ataque.

Essa matéria
de estudo,
corpo humano,
venera um futuro.
Todo futuro há de se tornar presente
E o aniversário está próximo.
O que melhor presentear um corpo com
outro
?

domingo, 12 de junho de 2016

O dia mais longo de minha existência

Antecipação
Dúzias de rosas fictícias espalhadas pelo chão de madeira do quarto
Todas azuis.
A cortina amarela ilumina a meio fio
Do que pode ser a luz da lua ou da rua.
Faz frio
Um frio que faz parecer que jamais vivi o inverno
E talvez não tenha mesmo.
As datas somente se repetem
E o verão some aos poucos
Das marcas das costas
E do olhar.
Foi um dia lindo
Desses que o Sol não esquenta,
Mas é suficiente.
Foi uma tarde estranha:
Sonolenta e enjoativa de amores alheios. É noite...
E tudo que a escuridão não mostra,  desmorona rasgando os pulmões.
A respiração falhou.
De que adianta gritar?
As flores ouvem os sussurros
E é isto que importa.
Como pode um mês antecedendo-me dilacerar assim? 
...
Depois de um súbito fechar de olhos
Afoguei-me na chuva que não caiu
Ainda.

terça-feira, 7 de junho de 2016

O inverno nem começou ainda

Meu corpo ainda é primavera
Adornado com flores
embebedadas de mel.

Mas
O vento já bate
e eu apanho.

...

Revido
pois o inverno combina bem com minhas pétalas azuis.

(e as abelhas também, se não ficarem a zanzar )