quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Hoje

No fundo da casa em que nao mais moro achei uma caneca minha
E outra, e outra
Todas ligadas em uma memoria só
A um habito que perdi
Uma história virando história.

Minhas palavras as vezes machucam
Tanto quando as bebo em frente ao espelho
Quanto as derramo em terras distantes.
Não foi porque as suas me machucaram que eu deva fazer o mesmo
Mas as fiz, em atos e palavras, pensamentos e omissões
Mas tudo bem

Eu vejo que tentei novamente me enganar
Mas sou quem sou
E possivelmente sempre será assim,
Mas ao entender isso vejo como esta tudo bem
Eu comigo e com você
Em formas diferentes da qual um dia já foi.
Hoje já não me dói
Nem odeio
Hoje eu lhe tomo como remetente mais uma vez
Mas não mais de uma carta de amor.

E Ta tudo bem

domingo, 15 de dezembro de 2019

Sei que não te disse

Há noites que meus sonhos se repetem
Entre tramas e locais diferentes
Sombras e cores
Uma única constância e certeza,
Uma única voz.

A minha cama eu já mudei muitas vezes de lugar
pintei a parede
cortei o cabelo,
Mas as costas ainda doem 
imploram pela mensagem 
Massagem
Passagem 
Pra além do que eu possa ser.

Há dias em que os ventos se reunem assim, sem me avisar
Sem deixar de levar as folhas pra longe
em terra vermelha, pele roxa e marcada
e me leva, me lava
pra longe de onde eu posso estar.
de onde eu queria estar
de onde eu preciso.

A flor matinal do leste sumiu,
o céu de primavera se acabou
a musa celestial morreu.

E todas as palavras que eu escrevo acabam sendo iguais
descartaveis como eu bem sei e sou.
Chega dessa dor.

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

A conexão entre seus olhos e os meus

A Lua se abre no meu peito
cheia
Alastra as nuvens sem pedir licença
e ilumina todo o caminho pra casa.
Queria poder te mostrar
como era antes, tudo que as estrelas sabem
e guardam para si
sobre as asas que dentro se debatem.

A minha pele sente falta
do inverno e do suor
de todo arrepio que as noites podiam trazer
antes de tudo
antes de nada,
antes.

Agora
todas os pedaços da linha que caem sobre mim
tão vermelha quanto  poderia ser
ou jamais foi.
Tudo que é incompleto, busca seu pedaço
parte, divisão, metade
ao todo
tudo
tanto - tanto faz
se o tempo for fazer sua parte
e reencontrar as horas exatas
nas linhas tortas dos meus rascunhos.

Pinto e escrevo com caneta
nomes que possam ser,
palavras que se encaixem no espaço apertado
do meu abraço vazio.
As sombras dançam apressadas
até que eu caia
da cama
no sono
na real

Não há muito o que falar
ou fazer
que seja permitido neste circulo.
A ponta dos seus dedos procura um caminho iluminado
e a luz tarda a me encontrar
mas há
mesmo que demore
ou não seja a mesma.

Algum dia, nem eu serei a mesma.
mas o coração será.

terça-feira, 16 de julho de 2019

A mim

Fica ate difícil de dormir depois de ler algumas coisas. Coisas, imaterial. Palavras do meu passado pro meu eu de agora, duas versões que demoraram a se encontrar e nunca mais irão. Somos retas que se cruzam em um só ponto com colisão direta, alfinetada firme e dura no coração.
Eu parecia saber que não seria fácil, por mais óbvio que realmente seja ou fosse. Mas consegui conforto nos únicos braços que podem me curar: os meus.


Tudo que me é negado

Eu quero ouvir e poder saber o que acontece. Entender de olhos fechados porque a chuva para exatamente aqui e agora. Porquê tem de chover.
Quero a verdade, as dores que pensam que não suporto. Quero a resposta do que o tempo faz com minha mente nas madrugadas geladas, em pensamentos tempestuosos e distantes- ou nem tanto.
Quero as juras do futuro, mesmo que não exista ou nunca chegue. Quero as certezas que não posso ter, mas preciso ter juradas entre as contas do terço de um local ao outro. Minhas distâncias.
Quero o reflexo dos olhos nos meus, aqui, presentes. Ver e saber que o mundo há de cair, mas ainda há no que acreditar. Quero poder crer, não só para sobreviver, como também para manter o sentido desse caminho. Quero meu sentido. Quero tudo que é sentido. Quero não ter sentido muito por sentir muito.

domingo, 7 de julho de 2019

Depois de tempos com os pés no chão

O tempo age de diferentes formas, mas sempre age. Como as lágrimas em dia santo, inevitavelmente o fogo cessa, até virar apenas queimadas pelo céu, um véu preto sob os olhos.
São muitas estradas e caminhos para chegar em um lugar ainda incerto, infértil. O sol nasce no Sul e se põe no Norte de uma rodovia em reforma. Os pés cansam de andar, rastejar e se arrastarem no asfalto. As pedras estão marcadas na sola, nelas não há água que regue flor alguma. A rosa sozinha em frente à cama que não me pertence fita meus espinhos e repele minha pele no áspero dos lençóis. Essas gotas de orvalho tendem a me queimar, esgotando o frio em meus pés: cada vértice e versículo verde em mim.
Não os cubra com falsas verdades, mesmo que reflexos de expectativas- trincadas no espelho.Não existe corte de vidro no teu olho, eu quem deveria colocar os óculos, chorar o que os pulsos não têm permissão de rasgar- e rasgar.
Tuas palavras me doem sem disfarces de metáforas e sem medidas.
Nada aflige mais que as mãos tentando alcançar o que já perderam.