sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022
certezas
segunda-feira, 30 de novembro de 2020
aqui dentro ecoa
Aqui no meu quarto a chuva é bem barulhenta
e não deixa ouvir as batidas
De que tudo mudou de lugar
Meu espaço no canto daquela sala
Na esquina da minha mente com minha inquietude.
O sono me derruba
Três lances de escada
Abaixo
De onde já estive.
Não é um pódio, apenas degraus altos demais pra se subir
E escalar, escapar de outra dose abusiva
Noite adentro nas manhãs mal dormidas.
Estou envolta num plástico bolha
Cheia de manchas e manias dispersas
Irregulares na pele
Tese ou mapa antigo pra esse local
que insiste em me expulsar.
Minha garganta aguarda
no seco ou gelado, quais os comprimidos descerão
junto do corpo ao chão.
Certa vez me intitulei assim...e no fundo sabia
que sempre fôra
fora daqui
dessa jaula de barras espessas e frias -
inconsequentes
B²
segunda-feira, 19 de outubro de 2020
outra madrugada desatando nós
segunda-feira, 13 de julho de 2020
me diz
A feridas não se curam?
''como pode falar de agora?''
Eu que tanto sou e venho da Lua
cheia de ti, dela, de mim,
canto e choro, morro e vivo novamente para morrer mais uma vez
sob o céu sem lua
Algumas imagens me doem de formas que não esperava
São tintas velhas no porão,
no canto do palco em que a fumaça forma seu rosto
mesmo incerto.
Uma noite, uma música
uma nota inalcançável
sem fôlego ou comparações.
Finais tristes são os mais belos
cortados pela corda ou arma
num vermelho que mancha meu vestido branco:
não de casamento, mas personagem, mais uma vez.
Anjo da música, cante a canção
leve-me pelo rio debaixo de sua capa
em que homem e mistério estão,
vinde uma história tão desentendida
e dolorida
quanto bela.
B²
sexta-feira, 3 de julho de 2020
1° de Julho
sábado, 6 de junho de 2020
tempo de se expor
domingo, 17 de maio de 2020
Não é bem assim
Eu lá, eles cá
mas não desta forma.
São três da manhã em algum lugar de mim
que enche luvas descartáveis como balões
Anunciando uma festa que nunca acontecerá
Em devido canto de janela envolto na cortina esperando
os convidados que nunca vão chegar
com coração palpitante na garganta
e todo um roteiro pronto na cabeça:
De, quem sabe, as coisas acontecem diferente,
E pela porta entra, sem bater, como filme clichê, na sala de estar
na platéia ou qualquer lugar
E bem na minha frente o tempo para.
Pra nunca mais
Ou pra sempre.
Em data específica, ou não, os números continuam os mesmos
Ou piores, pro meu lado
Tendenciosos a se acumular em cima do meu cobertor
Tornando denso e pesado
Impossível de se levantar ao soar do sino
Ou dos sorrisos distantes.
Eu vou embora
De volta pro começo, mesmo com meio diferente
Indiferente à mim.
Eu vou embora
Pro quarto em que risquei minha morte
E jurei não voltar
Vou andar
Pelas ruas que odeio
Em que nem se pode andar sem rumo,
Todos os caminhos aqui sei de cor
Pois terminam no canto da caixa,
na casa no centro de janela bonita
E 17 na urna.
Eu vou embora
Porque nem lá é meu lugar
E ainda custarei saber aonde é.