terça-feira, 1 de janeiro de 2019

X.

A madrugada evoca certas ideias
que serpenteiam entre as pinceladas da aquarela ante a água suja dos pincéis.

Acorda com um beijo envolvente em onomatopeias de vogais inifinitas
nas costas riscadas que seguem o azul do oceano
até o outro lado
em que é plantada a dor de um sorriso que nasce e quer viver para sempre.

As cores se dissipam no papel rente aos dedos precisos e pontuais
carimbados no salto repentino, porém já esperado
em uma noite escura e sozinha
e só desbotada pois é necessário dormir
E
Quem sabe
sonhar e acordar com a Lua Cheia e o pincel entre os dedos a matar:
findar o belo e assim brindar harmonia
na violência.

A morte de um grito ardido para dentro
Pode se igualar e ser tão boa quanto,
Quem sabe 
Quem sabe seja
E o agora seja privamento e as madrugadas estejam certas
De todos os castigos e chicoteadas que findam 
Ao se escolher toma-los.

B²

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Paranóias

Aonde morrem as ideias que nascem na madrugada
e partem
a mim
ao nascer do Sol?
No fundo do meu peito habita um ultimo suspiro
Dado com fôlego de queda
Que queixa todas as marcas que o corpo traz.
.
Mãos manchadas carregam o inicio de uma pele que se torna vazia
assim como por dentro não há o que se achar
Se Nao entrar.
Eu não vejo a Lua há dias
Talvez porque ela esteja desaparecendo de mim
Ou crescendo e me rompendo
.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Caramelo Salgado

Grudado no ceu da minha boca suas palavras me afagam
Ardentes em chama
Me chama !
Me clama !
Me d e r r a m a
Em solo sagrado
.
Nenhuma das vozes se cala em outro momento senao esse
Mas preciso saber onde é que me encaixo
Além do teu corpo
( Em coro no meu ) silêncio.
.
Anos luz
Em tempo
e espaço
Porque não deixam de ser um só,
Mas nós sim.
Somos sono e sinos
Sonhos e sozinhos
Sombras pra além do ninho
que já se despedaçou.
.
O açúcar queimado
Na minha pele
Trinca e me desarma
porque às vezes sou formiga
a matar a pequena rosa azul
porque é preciso acabar o poema
antes que ele acabe comig

domingo, 29 de julho de 2018

O eclipse e todos os estados da Lua até agora

Noite passada escrevi vários versinhos
De como o luar me transforma
Mas os perdi tão rápido quanto foi o eclipse.
Fiquei triste, a beleza não durou muito
mas isso acontece sempre.

A lua se encheu, sumiu e retornou
E antes disso muitas vezes ela sumiu
E eu chorei.
Chorei porque as vezes é tudo que sei fazer
É o que meu coração pede e não deixa guardar
Pois quando a gente é céu, as vezes chove
e a chuva, mesmo sendo cinzas faz bem.

Só a Lua sabe e lembra das minhas palavras perdidas
As belas de ontem e as lástimas de outros domingos
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quinta-feira, 14 de junho de 2018

Turquesa

Ouço o som da água
Ágil, como dentro de mim
A inundar-me
Em tons azuis e cristalinos.
A correnteza, certeza de ser ilha
Abraçada pelo mar
- como se não houvesse sal em si -

Corpo que flutua
Mergulha e se dissolve
até que não haja distâncias
E seja um só.

Não há vento que seque um corpo
Que pertence a mar.

B²

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Premonição

O último fôlego antes de cair
No sono
Em si
É o que afoga.

As cordas mal atadas que me prendem e defendem do chão sufocam
Deslocam os ossos na lentidão que esse coração já não mais conhece,
Já não mais controla batida por batida por batida
Ate tanto se bater e sair ferido.

São essas unhas que arranham as paredes e sangram
Vingando todos os nomes já culpados por tudo, ate que fossem o dono dos versos.

Nenhum espelho há de sobreviver.
...

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Toda faísca de luz

Como as formigas que tantos transitaram meus braços, alguns grãos de memória permanecem-me leve.
Riscam-me a pele com doçura
Em traços ternos, eternos;
Meros fios a conectar-me
Em mim mesma.

Muito uso de pronomes pessoais oblíquos,
Muitas idas ao espelho com diferentes vistas
Revistas nesse vidro embaçado
Enlaçado no pescoço.
Que não seja nó
Mas nós:
Eu e você, minha memória amada.

O azul escorre mas ainda mancha a rosa, E na ponta dos dedos
Invoca a permanência
dos tons do céu no tempo exato.